A origem da Escola Bíblica Dominical

Inglaterra, 1780. A Revolução Industrial acha-se em processo. A primeira máquina movida a vapor foi patenteada por James Watt há onze anos. A transformação traz sérios problemas socioeconômicos, com implicações morais e religiosas. Há muitos crimes. Bebe-se como nunca. Os divertimentos populares são grosseiros. Não há instrução. As leis são aplicadas de modo brutal. As prisões são antros de doenças e iniqüidades. A miséria das classes pobres é alarmante.
Vamos agora a Gloucester, uma cidade não muito distante de Londres, à rua Sonthgate. Aquela casa de três andares e três sótãos, à esquerda, é a residência do jornalista e filantropo Robert Raikes. Ele é proprietário do Gloucester Journal, fundado por seu pai há 68 anos. Este homem de 44 anos vem se preocupando muito com a situação moral e espiritual do país. Observou que a ignorância tem sido uma das principais causas do crime. Há em Gloucester uma fábrica de alfinetes que oferece emprego para muita gente, especialmente crianças (o que hoje, felizmente, não acontece mais). Só não se trabalha aos domingos.
Com estas observações na cabeça, Raikes teve a brilhante idéia de organizar uma escola dominical. Mas esta escola não cuidaria apenas da educação secular. Ela daria ênfase à educação religiosa e teria a Bíblia como livro-texto. Assim muitas crianças pobres receberiam educação que as desviariam do vício e do crime.
A escola dominical de Robert Raikes começou em 20 de julho de 1780 e a idéia se espalhou com incrível velocidade. João Wesley deu total apoio ao movimento. Em 1875 organizou-se em Londres a Sociedade para Promoção das Escolas Dominicais nos Domínios Britânicos. No ano seguinte havia 200 mil crianças matriculadas.
No Brasil, a primeira Escola Dominical nasceu em Petrópolis, RJ, no dia 19 de agosto de 1855, na casa do médico e missionário escocês Robert Reid Kalley. Neste dia havia cinco crianças presentes, e a esposa, Sarah Kalley, contou a história de Jonas.
Como os problemas sociais e morais de hoje não são muito diferentes dos problemas de 220 anos atrás, vale a pena resgatar um pouco do EBD.